domingo, 14 de outubro de 2007

Na casinha do Rei Sol.

Hoje esteve um dia lindo, com céu azul e sol radioso - o dia perfeito para visitar Versailles e o Palácio do Rei-Sol. Aviso, desde já, que vou escrever muito e mostrar muitas fotografias, para poder partilhar a minha visita de hoje com as pessoas que não estão aqui comigo mas gostariam de estar (porque, como me disseram hoje duas pessoas muito importantes para mim, se partilharmos ficamos mais ricos...)

Quando cheguei ao palácio, fui atingida por uma ligeira desilusão: saltavam à vista os andaimes das obras de recuperação de um dos edifícios e a entrada era toda em pedra, sem um único bocadinho de relva. Agora, sinto-me estúpida por ter achado que devia haver ali um jardim... de facto, bastou-me contornar o palácio para perceber que espaços verdes, fontes e estátuas não faltavam ali. A fila para comprar os bilhetes era longa e cansativa, com duas voltas e meia ao longo do pátio... mas, graças à boa companhia que tive, acabei por nem dar conta do tempo que efectivamente passou!


A primeira coisa a dizer em relação a Versailles é: "oh meu Deus, que coisa gigantesca." Suponho que todos os visitantes levem uma ideia de uma grande dimensão e uma expectativa de megalomania... mas eu juro que aquilo ainda é maior do que eu imaginava. Maior em tamanho e em exageros (porque é que os reis gostam tanto de gastar dinheiro em coisas rococós?)

Decidimos começar a visita pelo jardim e aproveitar o sol de início de tarde, deixando o palácio para quando a temperatura começasse a descer. Logo no primeiro lago, estava esta estátua giríssima que não faço a mais pequena ideia do que retrata. Mas é gira, não é? ;)

A Mariana fez a melhor descrição possível do impacto que se tem ao olhar para os jardins de Versailles: normalmente, tu tens a tua casa, o teu jardim e a vista; aqui, o teu jardim é a vista! Literalmente... porque, de costas para o palácio, tudo o que o olhar alcança pertence ao jardim. É simplesmente impressionante.

A tia da Mariana teve a ideia fantástica de alugar um buggy para que pudéssemos ver mais do jardim, por isso conseguimos dar uma volta e ficar com uma perspectiva geral. Foi óptimo, confortável e divertido :] Mesmo assim, não vimos a maior parte dos jardins e fontes, por isso fiquei com vontade de lá voltar especificamente para os ver (até porque os jardins são públicos, por isso, ao contrário do que sucede com TUDO O RESTO em Versailles, não temos de pagar para ir lá...)

Ainda assim, parámos algumas vezes para ver o que estava para além das sebes. Deparámo-nos sempre com várias alusões mitológicas, jardins bem cuidados e estátuas lindíssimas, realçados pelo sol que brilhava (com demasiada intensidade para os meus olhinhos, até!) e pelo céu azul.


[templo do amor, no domínio de Maria Antonieta.]

[o Grand Canal, que é mesmo grande, onde há barcos para alugar e tudo!]

Terminada a visita ao jardim, fomos em direcção à entrada do Palácio. Infelizmente, a Ópera estava fechada para obras e a capela estava fechada para um concerto, por isso devo ter perdido duas das partes mais importantes... mas, ainda assim, consegui espreitar o órgão de tubos e o tecto da capela, que eram lindíssimos.

["a toutes les gloires de la france" - exterior do pálacio.]

Acho que, se me pedissem para descrever Versailles, as três palavras que iria utilizar mais vezes eram: "dourado", "grande" e "exagerado". :P Já vão ver, por algumas das fotos que aqui pus, que tenho razão!


[todos os tectos do palácio de Versailles estão absolutamente cobertos de talha dourada e pinturas... nem quero imaginar quanto dinheiro o Luís XIV gastou só com pintores! diga-se de passagem que, apesar de ser um local inicialmente pensado para a caça, esta "casinha" acabou por ser uma grande homenagem à arte!]


Sobre a tão famosa galeria dos espelhos, tenho de dizer mais algumas coisas. Sim, é gigante e dourado e exageradamente ostensivo. É uma coisa absolutamente fantástica de todos os pontos de vista. Mas... se alguém tirasse dali a multidão de turistas e me deixasse olhar à volta em silêncio, talvez eu tivesse sentido que de facto estava ali dentro e talvez conseguisse deixar-me envolver pela opulência da galeria. Não, não fui capaz de sentir o estremecimento que esperava: acotovelada por chineses, empurrada por franceses, atingida pela corrida de um garoto espanhol, incapaz de tirar uma fotografia sem que me pressionassem para continuar a andar, incapaz de captar uma imagem que não contivesse dezenas de cabeças desconhecidas a escurecer a imagem que devia ser impecavelmente luminosa... não consegui sentir mais do que raiva por ser turista e, apesar disso, ter raiva aos outros turistas. Começa a ser um sentimento frequente aqui em Paris.

[possivelmente, a única foto da galeria dos espelhos sem cabeças de turistas.]

[chegadas a este quarto mui pobrezinho, eu disse: "não era capaz de dormir aqui". e não era.]

[bem sei que todas as fotos dos tectos do palácio são basicamente o mesmo, mas quis pôr aqui esta porque achei curioso o facto de quatro pinturas, uma no centro de cada parede, serem a preto e branco...]

[já nos aposentos do delfim: um globo terrestre e celeste, enorme e muitíssimo bonito.]


[ainda nos aposentos do delfim: a biblioteca, que tinha uns tons de azul muito queridos e que me pareceu o quarto mais habitável do palácio.]


[quarto da filha mais velha, bastante mais engraçado que o douradão da rainha.]

[10º baú guarda-roupa da filhota do rei. coitadinha, devia ter muito poucas coisas... ihih]


Terminámos a nossa visita pelos aposentos de Maria Antonieta, o Petit Trianon, muito afastados do palácio. Chocam com este a vários níveis: desde logo, são muito mais pequenos, muito menos dourados, muito mais toleráveis para o meu gosto. A cama era bastante fofinha, até, com um motivo floral próximo das sacas do pão :]

Daquele edifício resguardado das confusões e formalismos do palácio, fiquei com uma sensação de liberdade e autonomia que me fez sorrir... nem quero imaginar quão estupidificante seria viver constantemente rodeada de talha dourada, vénias e regras de etiqueta, festas, bailes e narcisismo. Imagino que uma pessoa normal sentisse vontade de reclusão, sede de cultura e de coisas mais genuínas. Enfim, toda uma imagem bastante contrária à ideia que eu tinha da Rainha - por isso, agora tenho vontade de saber mais sobre ela, sobre a sua vida, sobre a Revolução Francesa e o seu impacto na família real.

[Aliás, estou mortificada com o meu total desconhecimento da história de França. É ridículo! E sinto muito essa falha quando ando a visitar monumentos históricos... Tenho de comprar a "História Francesa para Totós"!]

7 comentários:

Ska disse...

Que exagero de palácio grande!! Parece quase a casa do meu jardineiro, mas com um pé-de-meia mais pequeno =P

mapha lá fora disse...

eu não gosto nada dos franceses nem da história francesa (a rev. francesa é mesmo a parte que eu mais odeio de história!) mas adorava ir aí...
das fotos daqui, só me consigo lembrar do palácio do Ludwig qualquer coisa, que vimos na Herreninsel (isto tá bem escrito?) e eu sei que foi construído para ser 'igual' a esse, mas diz lá, tu que foste aos 2, esse supera muito o outro não? aquele já é bastante ostentivo, dourado, enorme... imagino esse pela tua descrição!

muitos muitos muitos beijinhos do outro lado do mundo.
e muitas muitas saudades!

lua de inverno disse...

ska: qual dos teus jardineiros? :P é que, para teres uma casa digna de patrão de uma pessoa que tem uma casa destas, tens de o superar! :]

mapha: este é muito, muito maior que o que nós vimos na Alemanha, sobretudo a parte do jardim. a nível de dourados... andam a par. mas tens de vir a versailles, é sempre bom ficar espantado com estas coisas! :)
beijinhos muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuito grandes deste lado do Atlântico*
(estou cheia de saudades tuas!)

Ed disse...

Olá Rita!!! Sou a irmã do Eduardo, ele disse-me p espreitar o teu blog e realmente está fantástico!
Adorei as fotos do palácio, estive num parecidíssimo em Itália ( Caserta Nuova ) também tinha um jardim enormeeeee!
São sítios que nos marcam a memória para sempre, aproveita e desfruta-os!
Bom, boa estadia em França,
desculpa a invasao!**Beijito**

Inês disse...

Como é que sabes que a cama da Maria Antonieta era fofinha?!Está-me cá a parecer que *alguém* andou a fazer sonecas pelo palácio!:D

Kahkba disse...

Qe coisa gigante ! Nunca mais chega a minha hora de lá ir !
Hihi nós tivemos a nossa grande discussão e apesar de continuarmos com pontos de vista diferentes, deixo.te um beijinho ;p * *

Era uma vez ... disse...

aiii k sitios LINDOS, magnificos!!!! e concordo com a ines!!! como sabes k a cama da maria antonieta era fofinha??? hihi...obrigada pelo postal again!!!k saudades!!!!!beijinhos graaaaaaaaaaaaaaaandes. gmdt