quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Um pouco mais de Atlântico.

Desde que cheguei a Paris que andava à espera de um fim-de-semana destes, mochila às costas e as minhas duas melhores amigas ao meu lado no comboio, com um destino interessante mas não turístico. Calhou ser Nantes, Angers e a costa Atlântica do vale do Loire, uma região verdejante e repleta de palácios, bom vinho e pessoas amigáveis. O nosso anfitrião foi um francês que fez erasmus na Lituânia e que resolveu retribuir a hospitalidade da Justina. Resultado: tivemos um fim-de-semana fantástico e 100% em francês!


Quando chegámos a Angers, fomos recebidas pelo amigo da Justina, o Maxime, que nos levou a comer uma sanduíche rápida para nos fazermos logo à estrada - fomos directos para Nantes, mas de carro, o que acaba por ser um bom motivo para sorrir quando se passa tanto tempo em transportes públicos... :] Lá, comecei de imediato a ver a diferença relativamente aos parisienses: um dos amigos do Maxime emprestou-nos o apartamento dele!


Nantes é uma cidade muito bonita, com avenidas largas e edifícios interessantes. Mas... a primeira coisa que experimentámos foi a vida nocturna :] e essa vale bem a pena, asseguro-vos!

[esta foto tem de ser explicada: supostamente, o Maxime, a Justina e a Linda estão a fazer de bombeiros portugueses. não, não sei porquê. a explicação há-de ficar sempre por aqui. :P]


Depois de termos percorrido alguns bares, acabámos por ficar mais tempo numa discoteca bem pequenina, que passava música portuguesa, brasileira e espanhola. O que teve mesmo piada foi ver que eles não percebem as letras, mas cantam à mesma, e que não fazem as coreografias sugeridas na letra da música... bem, porque não percebem. Foi um bocado estranho quando dei por mim a fazer tudo sozinha!

No sábado, visitámos a zona portuária e almoçámos numa crêperie à beira-rio. A vista era espectacular! E os empregados dos restaurantes são de facto simpáticos, ao contrário do que sucede em Paris!


Depois de almoçar... claro, café. Mas, desta vez, num sítio bem especial: a antiga fábrica de bolachas LU, convertida no espaço "le lieu unique", que é provavelmente o sítio mais giro que eu vi em França. Tem café, restaurante, sala de concertos, sala de exposições, livraria e muito sentido de humor.

Fiquei fascinada com as casas-de-banho :] claro que todos se riram deste meu fascínio, mas... epah, aquilo era uma mistura de gigantismo industrial e marginalidade urbana quase perfeita! Ainda por cima, tinha ali duas modelos giríssimas mesmo à mão, mas não vou pôr aqui as fotos que lhes tirei por uma questão de respeito ;) ficam só com uma ideia da casa-de-banho!

Durante a tarde, visitámos a cidade. Não consegui parar por um segundo de admirar a educação das pessoas e a sua simpatia - não tem mesmo nada a ver com Paris. Começámos pelo castelo dos duques da bretanha, que estava num estado de conservação absolutamente fantástico - as pedrinhas todas bem limpas, os jardins cuidados, informações nos sítios mais importantes. Foi lá que foi assinado o édito de Nantes de 1598 que deu liberdade religiosa aos protestantes. Interessante, não acham?




Ainda tivemos tempo para ver a passagem Pommeraye, de 3 andares, reconhecida como monumento histórico desde 1976. Lá, tivemos mesmo a sensação de estar no Natal, apesar de já ter passado... ambiente muito festivo, lojinhas bem decoradas e pessoas sorridentes acabam por ter esse efeito!


Ainda passámos pela catedral com intenção de a visitar, mas estava fechada. :( Ao fim da tarde, voltámos para Angers, onde tivemos oportunidade de assistir a um concerto fantástico de saxofone e violoncelo, composto por duas partes: durante a primeira, os violoncelistas davam a banda sonora a um filme mudo (foi o que gostei mais!), seguidos pelos saxofonistas; na segunda parte, tocaram todos juntos com um DJ (!), o que me pareceu muito original... embora não muito bem feito. Seja como for, adorei o concerto e foi muito agradável entrar num centro cultural universitário (porque é que não temos destas coisas?) dentro de uma faculdade de economia e ver que os alunos têm mais interesses para além da sua área de estudo.

Nessa noite dormimos em Angers, no apartamento do Maxime, e no dia seguinte seguimos para a costa Atlântica! Estivemos em Sables d'Olonne, onde almoçámos como realeza :]


Com a barriga cheia e a alma reconfortada pela maresia, fomos passear à beira-mar, saltitar nas rochas e tirar fotografias parvas :P


Como o tempo começava a escassear, não pudemos ver mais praias. Fomos directos para a Vendée, a zona rural onde vivem os pais do Maxime. Pelo caminho, parámos para comprar brioche típico da zona :]


Os pais do Maxime têm uma quinta gigantesca, absolutamente maravilhosa! Andámos a passear pelos campos (lindos!), à beira dos riachos que serpenteiam entre as árvores, espreitámos as vacas e os lagos para aquacultura... e acabámos a tarde sentados à tosca mesa de madeira da cave onde faziam o vinho (agora ainda fazem - e deram-nos a provar - mas já noutro sítio). Esta cave está sempre a 17ºC, seja qual for a temperatura exterior. É fantástico :]


Depois do jantar, regressamos a Angers, mas fizemos um serão mais "caseiro": ficámos em casa a ver umas comédias francesas (que não nos fizeram rir nem metade do que fizeram rir os franceses que estavam connosco... e não era só por não percebermos as piadas todas!).

Na segunda-feira de manhã, ainda tomámos o pequeno-almoço à frente da estação dos comboios, num café que parecia tirado de um filme!


A viagem de regresso correu bem... mas estávamos completamente exaustas. Foi quase fisicamente doloroso ir às aulas à tarde!

Falando em aulas... comecei o 2º semestre. Tenho mais cadeiras de Licence e menos de Master, o que significa que tenho de aturar garotos mal comportados durante a maior parte do tempo que passo na faculdade. É incrível... os alunos de L1 e L2 não respeitam sequer minimamente os professores! Mas pronto, tenho de aguentar de boca calada - se os professores não se impõem, também não posso fazer nada.

Na terça-feira à noite fiquei aqui no meu quarto com a Justina a ver um filme indiano que me deixou arrepiada do início ao fim. Chama-se "Black" e retrata a evolução de uma criança que fica surda e cega aos 2 anos de idade. É... impressionante.


E pronto... ontem tivemos o nosso último jantar internacional: a Justina, o Pascal e o Roland estão quase a ir embora :( fico eu e a Linda, vai ser estranho... Claro que o jantar foi óptimo, como sempre, mas já teve aquele tom de despedida que eu detesto.

Levei-lhes chouriço e café português - foi a loucura, adoraram! Nem sei bem porquê, mas ficaram loucos com o sabor! O prato principal foi pasta, preparada pelos rapazes e acompanhada de uma grande salada. Para a sobremesa, fiz uma tarte de mirtilos (por causa do filme, sim!), que comemos com gelado de baunilha, e a Justina levou um brioche comprado na Vendée! Resumindo, mais uma grande soirée... só espero que, no 2º semestre, apareçam pessoas boas para continuarmos esta tradição!


[mas então e o tempo? miserável!]

3 comentários:

Mafalda disse...

que vontade de estar aí contigo e ver isso tudo!!
espero agora depois de mudar também ir visitar assim uns sitíos bem porreiros... mas claro, nada se compara à nossa Europa!
beijinhos**

Era uma vez... disse...

aiiiii!!! k sitios maravilhosos. tas a ter um ano MM em xeio! surtuda amiga!! beijocas.

Anónimo disse...

Be, tu só fazes viagens do milénio. ahahahah. Gostei de ler estes relatos de quando Europa cai na noite... E não só.

Beijinhos.

(Post Regateirisse: estou a planear uma surpresa para expôr no meu blog.)