quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Paris, je t'aime (encore).

Na segunda-feira, fui acolhida com um dia excepcionalmente bonito. Andar na rua era, por si só, um prazer indescritível. Depois de toda a resistência emocional que encontrei para voltar a esta cidade, foi bom ver que continua a compensar estar aqui... Continuo a deixar-me seduzir por Paris.


Até anoitecer, andei junto ao Sena, na ilha de St. Louis, vi lojas de máscaras venezianas, de marionetas, de chocolate, de chá. [devia realçar também que o rio estava vivo, mais agitado que o habitual, e dezenas de pássaros voavam em todas as direcções, tornando a paisagem muito mais animada...]


O jantar foi na nova casa da Linda, em St. Michel (quem me dera!), com a sua coloc francesa e uma amiga. Comemos morcelas (que elas adoraram, por acaso), sopinha feita por mim e crepes salgados saídos das talentosas mãos das minhas amigas! Para terminar em beleza, uma galette des rois e horas de conversa animada sobre feminismo, machismo, igualdade, laicismo, preconceito, xenofobia... enfim, algo que nunca imaginei conseguir discutir em francês. Resumindo: noite óptima, jantar delicioso, apartamento lindo, companhia de luxo. :]

Ontem o dia tornou a ficar cinzento, mas não me deixei intimidar... tratei de mais umas coisas na faculdade e fui ao cinema, ver o filme My Blueberry Nights, de Wong Kar Wai, para aproveitar as tão saborosas férias que tenho esta semana! Entretanto, como tive de esperar mais de uma hora até ao filme, dei umas voltas no centro comercial: quase todas as lojas estavam a preparar os saldos que começariam hoje... :| é estranho, nunca tinha visto tanta agitação para preparar os saldos! Mas também ainda não tive coragem para enfrentar a multidão e ir ver para que serviu tudo isso... Anyway, voltemos ao filme!


Com a presença de vários artistas de renome, quer no mundo do cinema (Jude Law, Natalie Portman, Rachel Weisz, David Strathairn), quer no mundo da música (Norah Jones e Cat Power, que participam como actrizes, bem como na banda sonora), este filme tinha já tudo para ser bom... A história não é muito original e há alguns momentos mortos que poderiam ter sido evitados, mas acho que a fotografia compensou por tudo isso: nunca tinha visto nada filmado desta maneira e gostei imenso!

Entretanto, convenci-me que hoje haveria de visitar a casa de Balzac ou uma exposição de fotógrafos do pós-guerra que estava no Hôtel de Sully. Telefonei à Justina e resolvemos ir à casa do escritor, que sempre tem mais a ver com uma futura editora! Quando lá chegámos, estava fechado... até ao fim do mês. E o site não tinha nada a avisar! Um pouco resmungonas, lá voltámos para trás e fomos em direcção a Bastille, para tentar apanhar a exposição ainda aberta. Pelo caminho, outra boa surpresa: um pôr-do-sol magnífico num céu que se foi tornando cada vez mais límpido ao longo da tarde, pintando as nuvens de cor-de-rosa. ^^ O edifício que albergava a exposição era tão bonito que a viagem acabou por valer a dobrar. Quanto às fotos em si... ainda que não aprecie muito o estilo de alguns dos fotógrafos representados, tive motivos suficientes para sorrir - o que não faltava eram bons retratos, inquietantes como se quer e sempre absolutamente intrigantes...

Michèle Morgan 1946
© Roger Corbeau

Thérèse Le Prat (1895-1966)

Depois da exposição, fomos comer uma tosta e beber um sumo natural a um restaurantezinho com um nome qualquer do género "paraíso das frutas". A brincadeira saiu-nos cara e nem por isso ficámos lá muito satisfeitas, mas pronto... são os últimos dias da Justina aqui em Paris e há que aproveitar!




[e, apesar de tudo, continuo com tantas saudades das pessoas que me fazem ver em Portugal o único Eu possível...]

3 comentários:

Mafalda disse...

como acho que já te disse uma vez no início da tua aventura, que inveja de ti e ao mesmo tempo que felicidade por te saber assim bem =)
é verdade que o nosso portugal (até já falamos à emigra!) e os nossos não estão conosco, como nós gostaríamos, mas o que nós ganhamos com estas esperiências... com tudo o que de positivo e negativo elas têm. somos umas previligiadas!
e quando te sentires mais só, mais vazia (acho que é isso que eu sinto por estar longe de todos) basta lembrareste que estão todos à distância de um clique, de um minuto ao telefone, mesmo que isso às vezes pese um bocadinho mais na carteira...
não tarda vais dar por ti a ter que voltar e a já não querer. a tentar esticar os dias em Paris para que isso não acabe nunca! [e sabes que mais? não acaba! nunca vai acabar na nossa memória! tal como os 'nossos' estão sempre conosco =) ]

já chega de comentário gigante!

beijo*

Catarina Costa aka afilhada disse...

Concordo muito com a Mafalda... É optimo estares aí e vir ler-te é como se eu tambem vivesse a tua aventura.
Quando cheguei à checa foi por 6 anos e os primeiros 3 já passaram a correr. Daqui a uns meses vejo-te triste, a despedires-te das coisas, das pessoas, dos lugares porque foi bom demais e é sempre triste ir embora para uma nova mudança. E um dia vais voltar a Paris, tentas encontrar-te com as pessoas que foram para ti especiais e vives tudo outra vez porque te faz muito feliz.
São dois lados do mundo mas nós próprios temos tantos lados. Aproveita, vai passar muito rápido.
Ninguém te esquece, tu sabes.*

Kahkba disse...

Não e' completa e perdidamente apaixonante ? ..

Há algumas coisas qe me exasperam aqi, mas poder passear em St. Louis e' uma das maiores compensações de tudo o qe está menos bem.

Os saldos a partir de 50% também não são nada de deitar fora ;p