sábado, 13 de outubro de 2007

Bisou+Fou.

Não sei o que acontece ao tempo aqui em Paris... mas parece que eu não tenho muito jeito para o agarrar, porque ele foge-me com uma facilidade impressionante! Bem, suponho que isso até seja bom sinal. Nesta cidade, há sempre milhões de coisas para fazer; e há sempre custos de oportunidade tão grandes que mais vale nem pensar muito nas coisas que estamos a perder enquanto fazemos outras!

Esta semana, já tive aulas práticas mesmo a sério a todas as cadeiras. Ainda assim, saí duas vezes ao longo da semana: na terça, fui a um barzinho aqui ao lado da Cité e na quinta voltei ao Ne Nous Fachons Pas, o meu bar preferido até agora! Essa noite foi muito boa: jantei aqui em casa com a Linda, a Justina, o Pascal e a Mariana (o habitual, ou seja, baguettes, queijos, vinhos) e depois fomos para o bar. Pelo caminho, divertimo-nos a tirar fotografias parvas e a noite acabou por ser apelidada de "soirée bisou-fou", à conta dos beijinhos e das caras de parvos que fizemos para a máquina! :]


[ataque de pânico no RER.]

[muitos bisous e já um pouco fou: Justina, eu, Linda.]

[esta é só para mostrar que também sabemos ser normais! :P]


Ah! Hoje fui ao Ikea comprar um edredon e lençóis - finalmente, sinto-me confortável na minha cama! Já não tenho de me preocupar com os pêlos e cabelos de outras pessoas! E posso lavar os lençóis todas as semanas! :P

À tarde, fui de novo a chinatown, já que o meu stock de noodles estava quase a acabar. Na primeira loja onde entrei, havia todo o tipo de bolos e bolinhos estranhos... e, como eu não sou NADA gulosa, ofereci a mim mesma um triângulo de pão-de-ló VERDE! :] E era bom! Parece que aquelas lojinhas ainda vão ter muitas histórias comigo...!

E pronto... não vos vou massacrar mais com uma descrição detalhada do que fiz esta semana (até porque, tirando o que contei, acabou por não se passar nada de especial, apesar de ter andado sempre MUITO ocupada...)

[Será amanhã que eu vou a Versailles?]


domingo, 7 de outubro de 2007

Nuit Blanche - ou presque.

Passou praticamente uma semana desde a última vez que escrevi aqui - não por não ter nada para contar, mas porque começo a achar que Paris é a cidade mais exigente que existe. Paris e a vida de Erasmus, talvez; principalmente dos Erasmus que querem fazer alguma coisa de útil na Faculdade. Não digo isto para me queixar, até porque adoro sentir-me ocupada e sei que isso me ajuda a passar os dias sem pensar tanto nas saudades de casa e na falta que certas pessoas, lugares, sentimentos e situações me fazem. Mas a verdade é que tenho um bocadinho de medo de estar tão ocupada. Tenho um monte de postais em cima da secretária há mais de uma semana e ainda não os escrevi. Tenho um livro ao lado da cama há quase um mês e ainda não vou a meio. E isso é apenas indicativo de quão afastada de "casa" tenho estado.

Esta semana, fui tendo as primeiras aulas práticas de cada cadeira. Umas correram melhor, outras pior... continuo com algum medo de Urbanismo e ganhei algum receio relativamente a Fundamentais. Mas estou optimista: acho que não é impossível conseguir levar isto para a frente da melhor maneira possível.

No meio das correrias da semana, tive alguns momentos especialmente bons: fui à inauguração de uma exposição no Centro Georges Pompidou (obrigada, Simão!), jantei com a Linda e a Justina, fui a um bar espectacular em Pigalle com dois amigos da residência, visitei Chinatown, participei na Nuit Blanche, andei de Vélib pela primeira vez! Chinatown é um sítio muito especial... o facto de tudo estar coberto de letreiros em chinês e de os empregados das lojas nos atenderem quase como se não estivéssemos lá faz com que seja impossível não nos sentirmos estrangeiros. O que é curioso, porque também os chineses são estrangeiros em França... enfim, não sei explicar. Entrámos em várias lojinhas onde nunca faltava uma vitrina enorme com bonequinhos de porcelana, budas, hello kittys com kimonos (!), todo o género de quinquilharia que eu não posso imaginar na casa de ninguém. Os supermercados eram especialmente interessantes: encontrámos fruta que nunca tínhamos visto na vida, garrafões de molho de soja que pareciam garrafões de gasolina, embalagens decoradas com desenhos hilariantes, dezenas de variedades de noodles.
[embalagens de gengibre e outras coisas que não são nada fáceis de achar a bom preço em Portugal.]

[o tecto de uma das lojinhas.]

[aqui está um pequeno exemplo dos bonequinhos de porcelana - não é inacreditável?!]

[eu e um carro absolutamente cheio de flores - não chegámos a perceber porquê, mas havia 3 assim naquela rua.]

Como conseguem ver por esta última fotografia, ontem também comprei um trolley para ir às compras, como boa parisiense que pretendo ser! :P Claro, as baguettes ajudam a compor o look... :]

Ao fim da tarde, começou a Nuit Blanche - uma noite cheia de eventos (não muito bem programados) que deveria manter os parisienses nas ruas até ao amanhecer. Infelizmente, não tenho fotos de nada, porque fiquei sem bateria na máquina logo no jardim das Tuileries, onde começámos, mas vou deixar aqui uma imagem retirada do site do evento. Nas Tuileries, havia velas por todo o lado, formando um candelabro gigante ao fundo, esferas de fogo, cadeias de luz que ladeavam as alamedas do jardim. Foi um espectáculo lindo de se ver...


Depois, fomos até Notre-Dame, onde devíamos ter assistido a uma polifonia medieval - mas, à boa maneira francesa, o programa não correspondia à realidade, por isso chegámos apenas a tempo de um concerto de órgão. Como ainda era muito cedo e queríamos ver um espectáculo que começava às 3h da manhã, resolvemos ir um bocadinho para Pigalle, para o bar onde já tínhamos estado esta semana (ofereceram-me uma rosa!) e depois regressámos à rua. Tentámos ir à projecção de curtas do Michel Gondry, mas a fila era gigantesca, por isso não insistimos na ideia. Estivemos na Pont des Arts para ver um filme que poderia ter sido muito bom - se o sistema de som nos tivesse permitido ouvir alguma coisa de jeito. No filme, pedia-se a vários parisienses estrangeiros que dissessem uma frase na sua língua materna que os tivesse acompanhado no processo de adaptação a Paris, uma frase que lhes tivesse dado o desejo de continuar - promissor, não acham? E, no entanto, tristemente mal tratado...

Seguimos até Madeleine, onde esperávamos ver o concerto de Stradivarius, uma violinista que acompanha o instrumento com a sua própria voz. Claro que, ao fim de longos minutos sentados no interior da Église Notre Dame de l'Assomption (uma igreja da comunidade polaca) e de duas raparigas se terem lembrado de nos presentear com algumas músicas a duas (más) vozes, percebemos que não ia haver espectáculo.

Daí, fomos para a Église de la Madeleine, onde vi o melhor espectáculo da noite. Chamava-se "Les Souffleurs, commandos poétiques: la confidence des oiseaux de passage." A Igreja estava quase completamente escura, pelo que a luz azul que percorria os longos tubos que povoavam o espaço dominava o ambiente. Homens e mulheres vestidos de negro erguiam-se sobre plataformas, controlando o movimento dos tubos. Pausadamente, seleccionavam uma pessoa do público e deixavam-na conduzir o tubo ao seu ouvido; depois, sussurravam-lhe poemas em várias línguas, sempre acompanhados de tradução para francês. A banda sonora, repleta de sons de pássaros e outros ruídos mais inquietantes, bem como a lentidão com que os tubos iluminados se moviam, ajudavam a contribuir para a criação de um ambiente verdadeiramente único. O "meu poema" parecia ter sido verdadeiramente escolhido para mim. Estava mesmo a precisar de ouvir o que ouvi.

Seguimos para Bercy, onde visitámos a instalação Générik Vapeur, um autocarro completamente alterado, colocado na vertical e acompanhado de som, luz e imagem. O frio já começava a ser difícil de suportar e o cansaço a pesar demais, portanto fomos à procura de uma Vélib, as bicicletas que todos podem alugar para se deslocar dentro da cidade. Ao longo do percurso da Nuit Blanche, deparámo-nos SEMPRE com a ausência absoluta de vélibs - todas estavam a ser usadas. Encontrámos bicicletas ao pé do pavilhão gimnodesportivo de Bercy e iniciámos o caminho para casa, orgulhosos com a nossa descoberta. Não demorámos muito tempo a perceber que, afinal, não tínhamos assim tanta sorte: todos os postos de "estacionamento" estavam completamente cheios no caminho para a CiuP e tínhamos de trocar de bicicleta de meia em meia hora para não termos de pagar. Claro, pagar não era o pior. O pior era termos de estacionar a bicicleta, quando chegássemos a casa, nos lugares que não existiam. Como já era muito tarde (ou cedo, conforme a perspectiva), o RER já estava aberto, por isso acabámos por pôr as nossas vélibs na última carruagem e levá-las até Port-Royal, onde foi bastante mais fácil encontrar lugares vazios. Com tudo isto, já passava das 6h30 da manhã quando fui dormir... mas nem por isso consegui dormir até muito tarde - eram 11h e estava absolutamente desperta. Vamos lá ver se hoje me aguento a visitar museus... (é o primeiro domingo do mês, será que o consigo aproveitar?)

Da noite, resulta um sentimento vago de desilusão: o programa incorrecto, a ausência de cafés abertos ao longo de todo o percurso, o falhanço no tratamento de alguns espectáculos, a escassez de meios de transporte... claro que consegui compensar isso com outras coisas boas: a companhia, a viagem de vélib, aquele momento de poesia na igreja de Madeleine, a visão do céu límpido sobre Paris, coroado por um minguante luminoso, o folhado de limão e as gomas :]

[Sim, sim, ainda estou apaixonada por Paris, apesar de todos os percalços!]

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Fim-de-semana em Rouen.

Quando estamos longe, a ideia de um fim-de-semana em família faz-nos suspirar. Desta vez (como nos próximos meses...) não pude estar com a minha família, mas tive uma experiência bastante próxima - passei o fim-de-semana com uma família portuguesa em Rouen. A viagem para lá foi invulgar: o meu bilhete não servia como reserva de lugar, por isso passei todo o tempo sentada no chão do comboio, ao lado de um rapaz que parecia o Kurt Cobain e que escrevia poesia! Quando cheguei a Rouen, fui surpreendida por uma cidade medieval, carregada de história, com pináculos de igreja a salpicar a paisagem da "ville aux cent clochers".

A primeira coisa que a Catarina fez foi mostrar-me Rouen de um ponto alto, para que eu pudesse ter uma perspectiva geral da cidade - ideia genial. Depois, demos uma volta de comboio (sim, daqueles turísticos, mas foi giro!) pelas ruas principais, onde pude admirar a arquitectura medieval, as ruas estreitas e a organização da cidade. O primeiro sítio que visitei foi a catedral de Notre-Dame de Rouen, um monumento lindíssimo de arquitectura gótica dotado de uma torre em forma de lanterna, encimada por uma agulha neogótica com 151 metros de altura (a mais alta da Europa!). A fachada da catedral apresenta duas torres completamente diferentes: a Torre St. Romain e a "Tour de Beurre", assim denominada por ter sido paga com o dinheiro das indulgências na quaresma - as pessoas queriam meeesmo comer manteiga! Esta catedral tem ainda a particularidade de albergar o coração de Ricardo, Coração de Leão e de ter sido pintada obsessivamente por Monet (quase 30 telas...)!

[interior da catedral: a torre-lanterna.]

[fachada: à esquerda, a torre St. Romain; à direita, a "tour de Beurre".]

[uma das muitas casas lindas que se encontram pelas ruas de Rouen.]

Depois de visitar a catedral, fui em direcção ao Gros Horloge, um relógio astronómico do século XIV, com detalhes renascentistas, em perfeito estado de conservação. Este relógio marca apenas as horas, e não os minutos, mas contém ainda um "semainier", que indica o dia da semana em que nos encontramos através de uma gravura mitológica, bem como um mecanismo que indica as fases da lua. Visitámos também o museu do tempo, onde pudemos ver o interior do relógio, o atelier dos relojoeiros, assim como uma série de curiosidades relacionadas com o tema. É, sem dúvida, um local digno de visita!

[o Gros Horloge, infelizmente com demasiada luz por trás...]

[vista de uma das janelinhas redondas que existem no relógio.]

A seguir, fomos à Place du Vieux Marché, onde se encontra a Igreja de Santa Joana d'Arc, bem como o monumento aí levantado em memória do seu martírio (sim, dizem que foi ali que ela foi queimada...). Esta igreja tem uma tripla finalidade: honrar Santa Joana d'Arc do ponto de vista religioso, prestar-lhe homenagem pelo seu heroísmo (enquanto memorial civil) e ainda conservar os vitrais da antiga igreja de Saint Vincent, destruída na segunda guerra mundial. A arquitectura tem forte influência marítima, como ressalta da forma do tecto (casco de um barco) e das janelas (peixes estilizados). Os vitrais de 1520-1530 estão perfeitamente harmonizados com as formas modernas da igreja - é verdadeiramente um local maravilhoso.

[o tecto com influência náutica.]

[pequena amostra dos vitrais do séc. XVI.]

[Santa Joana d'Arc, martirizada no local a 30 de Maio de 1431, acusada de heresia, após ter contribuído para inverter o curso da guerra dos cem anos.]

À noite, tive direito a um jantar fabuloso em família e, depois, a uma saída com o Charles, a Anne-Laure e os amigos deles. Fomos a um bar numa das casinhas medievais da cidade - foi óptimo!

No Domingo, depois de me empanturrar em croissants :] fui com a Catarina, o Hélder e a pequena Constance a Dieppe, um porto magnífico a cerca de uma hora de carro de Rouen. O castelo estava fechado, pelo que não o pudemos visitar, mas o dia foi lindo: estava sol e calor, fomos almoçar as famosas moules com batatas fritas, passeámos na praia e ainda me ofereceram um crepe com nutella (o meu pequeno vício francês)! A praia de Dieppe não tem areia, mas antes pequenos seixos arredondados, que magoam imenso os pés descalços mas que acabam por ficar bonitos na paisagem. O mar espantou-me: não cheira a praia, como o "nosso", e é de um azul pálido, leitoso, cor de opala. Felizmente, o sol deixou-me molhar os pés :]

[castelo de Dieppe e mar!]

[o mar do canal da mancha, tão opala.]

[os famosos seixos, tão girinhos mas tão desconfortáveis! :P]

Antes de ir buscar as malas, ainda demos um último passeio por Rouen, onde pude ver as típicas "chaumières", casinhas com telhado de colmo, bem como as ruas arejadas da parte residencial da cidade, cheias de jardins, árvores e a floresta lá ao fundo!

Na viagem de regresso, consegui vir sentada... quando cheguei a Paris, ainda vinha com aquela sensação boa de ter estado "em casa", de ter dormido num colchão confortável, de ter tido algum miminho. Foi, sem sombra de dúvida, o melhor fim-de-semana que passei em França até agora, sobretudo por causa da Catarina, do Hélder e de toda a família - foram tão queridos para mim que nem sei como lhes agradecer!

Ainda vim a tempo de ir ao cinema e aproveitar o vale que me deram no banco, que acabava a validade no domingo! Fui ver "2 days in Paris", a história de um casal (uma francesa e um americano) que vão passar férias a Veneza e depois passam por Paris, onde a sua relação é posta à prova de todas as maneiras possíveis e imaginárias. Não gostei do filme, por isso não vou fazer mais publicidade :P

Hoje comecei as aulas práticas e estreei-me na chuva parisiense: à hora de almoço, apanhei a primeira chuvada violenta do ano, que nem a roupa interior me poupou! E pronto, agora que já escrevi um post grande demais, vou dormir! :]

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Ainda mais arte.

Hoje tive aulas desde as 8h30 da manhã e estou exausta. A boa notícia é que descobri uns apontamentos de DIP que são literalmente o que a professora diz na aula - já não tenho de me preocupar com esta! :]

Depois das aulas, fui com pessoal aqui da residência ao Centre Georges Pompidou, que tem o museu de arte moderna e contemporânea maior que eu já vi na minha vida. Foi lindo, estou sem palavras e não vos vou contar nada porque sabe tão bem o impacto de ver tantas coisas bonitas de uma só vez, pela primeira vez, que não vos quero estragar a surpresa!


Para terminar a visita em grande, tivemos direito a ver um pôr-do-sol magnífico do alto do Centre Pompidou, bem como a vista linda dos telhados de Paris (com a Torre Eiffel a dizer "hey, olha, não é só nos postais!")

Gosto de viver aqui.



P.S. - É incrível... os alunos de M1 da Fac de Droit nunca ouviram falar de Savigny... :|

(we're going to be) Feeling Good.



Para a Martinha. Dá valor às coisas boas que tens - são tantas! Estou a torcer por ti deste lado dos Pirinéus. Um beijinho muito doce!*

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

La Dame à la Licorne.

Está a chover em Paris. As pessoas são formiguinhas tontas nas ruas e no metro, com os chapéus-de-chuva a tapar metade do rosto - parecem estranhos candeeiros de pano e metal com uma boca sisuda e um corpo impermeável, pingando água e impessoalidade. É interessante olhar a rua. Aqui a escala é tão maior! Hoje fui ao Musée National du Moyen Age. Pelo caminho, permiti-me observar todas estas coisas, por isso tive um certo choque quando entrei na primeira sala de vitrais... é uma explosão de cor e formas que não tem mesmo nada a ver com a imagem urbana de Paris à chuva.

A sala que me prendeu mais a atenção foi a dedicada à "Dame à la Licorne", um conjunto de 6 tapeçarias sobre os sentidos (sim, os 5 sentidos tradicionais e uma sexta tapeçaria, intitulada "A mon seul désir", cujo verdadeiro significado permanece uma incógnita). Aproveitei o facto de ir sozinha e sentei-me no meio da sala (que era escura, com focos de luz sobre as tapeçarias) a apreciar o que me rodeava e a pensar. Sim, sou uma sortuda. Estou a viver um sonho e nem me apercebo...

Persepolis.

Vou começar este post por um ponto muito importante: hoje acordei de uma forma muito pouco simpática depois de uma noite muito pouco serena; mas o sol brilha mesmo em frente à minha janela, apesar das nuvens, e Paris chama-me com tanta força que me custa permanecer nem que sejam dez minutos aqui dentro. Sinto-me livre, sinto-me forte, sinto-me eu. E nada me vai impedir de fazer deste ano o melhor da minha vida!

Ufff. Estava mesmo a precisar de vos dizer isto, amigos! Até porque, claro, só me sinto assim porque vos tenho aí para mim.
E pronto! Agora que já tive a minha dose de sentimentalismo diária, vou falar-vos do filme que fui ver ontem ao cinema. Chama-se "Persepolis" e é uma animação baseada nos cartoons autobiográficos de Marjane Satrapi, uma iraniana que nos conta como se passou a sua infância no Irão, no meio de uma revolução e de uma guerra, bem como a sua adolescência inadaptada na Europa. A história tem um fundo muito duro e deprimente, mas a abordagem é tão bem-humorada e inteligente que nem temos oportunidade para ficar tristes! Não sei se o filme já está aí em Portugal, mas aconselho vivamente!

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

1º capricho.


Aqui está a prova do meu primeiro capricho em Paris: Interpol com Blonde Redhead! :] Lucky me...

domingo, 23 de setembro de 2007

"Ensemble, c'est tout."

Hoje fui, pela primeira vez, a um cinema parisiense! Fui com a Linda, a Justina e mais alguns Erasmus ver o "Ensemble, c'est tout", com a Audrey Tautou. A sala era muito pequenina e não tinha grandes condições, mas adorei o filme. Baseado no romance de Anna Gavalda, este pequeno concentrado de sonhos-tornados-realidade deixou 90% da audiência com um sorriso parvo na cara - ouviu-se mesmo o comentário "oh, la vie est belle!" à porta do cinema... :]


Depois do cinema, fui dar uma volta sozinha pelos quarteirões vizinhos. Soube-me tão bem... Paris fica tão lindo ao entardecer. Passei imenso tempo a ver livros antigos, fotografias, aguarelas, ruas estreitas, pessoas embrenhadas nos seus próprios pensamentos, namorados à beira do Sena, amigos que jogavam às cartas e tocavam guitarra, turistas que fotografavam todos os centímetros quadrados das pontes, edifícios carregados de história e nuvens cor-de-rosa... :] foi a melhor parte do meu dia.

Pelo meio do passeio, acabei por ficar curiosa em relação ao fotógrafo Robert Doisneau e vim para casa procurar mais coisas dele. Encontrei "Le baiser de l'hôtel de ville" num tamanho suficientemente bom para o utilizar como wallpaper... e pronto, estou contente :]


Ah! Amanhã vou comprar uma coisa muuuuuito importante ;) Depois mostro!

sábado, 22 de setembro de 2007

Goût chocolat noisette.

Tenho muita coisa para vos contar desde quinta-feira à noite, mas vou começar este post com uma coisa muitíssimo mais importante: o meu pequeno-almoço! :P Encontrei uns cereais chamados "LunaStella", da Kellogg's, que são o meu pequeno prazer matinal - sabem a nutella! Além disso, são luas e estrelas ^^ digam lá se não é o máximo?! :]

E agora já posso começar com as coisas a sério! Na quinta-feira à noite, fui jantar com as belgas à Fondation Biermans-Lapôtre, que é bastante perto da Maison du Portugal. Foi um jantar muito animado e bastante internacional: uma italiana, uma alemã, uma portuguesa (eu!) e quatro belgas. No andar de baixo, estava a decorrer uma festa, que acabou por terminar mais cedo do que o previsto e por acção dos seguranças (parece que alguém se esqueceu de pedir uma autorização!). Como era quinta-feira, a noite de erasmus em Paris, fomos todos para o Mix, uma discoteca em frente às galerias Lafayette, que tinha entrada gratuita para os estudantes estrangeiros - mas só antes da meia-noite. Chegámos lá às 23h30, mas a fila era tão grande que não conseguimos entrar a tempo... e claro, pagar 15€ era muito pouco simpático, por isso voltámos para casa e decidimos ir para lá bastante mais cedo na próxima quinta!

Ontem não tive aulas (ainda), por isso resolvi fazer um dia "zen". Depois de almoçar na cantina da CiuP (que, repito, é uma grande bodega), fui passear para o Jardim do Luxemburgo com a Mariana, o David e o João. Para os que se lembram, este era o jardim que ficava próximo da primeira residência que me atribuíram, e devo dizer que a publicidade que me fizeram deste lugar corresponde bastante à realidade: é um espaço maravilhoso. As flores têm cores incríveis, o palácio é lindo, há esculturas e instalações artísticas no meio das árvores... enfim, é mesmo o que eu esperava e talvez ainda melhor! Duas curiosidades: primeiro, era sexta-feira e, apesar de ainda estarmos dentro do horário de trabalho, o jardim estava cheio de pessoas: umas liam o jornal, outras ouviam música, outras desenhavam, outras namoravam... Depois, ninguém estava sentado na relva, mas sim nas cadeiras que ali estavam colocadas para esse propósito! O meu primeiro pensamento foi: "se pusessem cadeiras destas no jardim do Campo Grande, não ficavam lá mais de uma semana" - mas, pelos vistos, em Paris ficam.


Estava uma grande instalação sonora no Jardim, intitulada "Voile de Murmures". Fiquei fascinada com o conceito: a obra, inspirada e dedicada a Valentine de Milan, esposa de Louis de France, duque de Orléans, era composta por seis colunas azuis de metal que emitiam sons do quotidiano, misturados com declamações de poesia - em sussurro. O efeito conjugado das três vozes de mulheres, do frio da cor e do material, dos ruídos ásperos e metálicos, era tão intenso que nem podia acreditar que estava mesmo no meio de um jardim público. É por coisas como esta que adoro Paris!


À noite, fomos até junto do Hôtel de Ville, onde tinha estado a passar o jogo de rugby, para "ir buscar" alguns dos portugueses aqui da residência. Fiquei espantada com a quantidade de lixo que um grupo de pessoas a ver rugby consegue deixar em frente a um edifício tão bonito como a Câmara de Paris... Mas sim, também foi impressionante ver que não demorou muito até que um carro do lixo fosse lá recolher o espólio!


Depois de estar o grupo reunido, era suposto irmos sair. Mas acabámos por andar às voltas até muito tarde por Châtelet e Les Halles, o que me deixou sem pica nenhuma e acabou por resultar num regresso a casa muito mortiço no Noctilien. Hoje espero ter uma noite mais animada, começam a ser demasiadas saídas a redundar em nada! :P Ah, e claro... no meio das voltas todas que demos, acabei por perder uns bocadinhos com fotografias parvas de quem não tem mais nada que fazer! :]


Uma última palavra para dizer que as pessoas é que fazem a nossa estadia aqui: se não tivesse encontrado um grupo de pessoas tão bom, nada disto estaria a ser assim tão espectacular! Obrigada, meninos!

[por hoje, fica aqui a Mariana, a Carol, a Sofia e o Rui!]


P.S. - Para os que estão intrigados com o título do post, é mesmo só isto: tinha aqui a minha linda embalagem de lunastella ao lado e é uma seca inventar títulos para todos os posts!